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O título deste texto a muito se pode referir, mas falando do meu caso pessoal, refere-se à etapa da entrada no mundo do trabalho, de sair de casa dos papás e de ter contas para pagar. É verdade que esta mudança nem sempre é fácil, a boa vida acaba e o comodismo de não fazer nada, rapidamente se altera quando vamos viver sozinhos.
Ao saber que ia ser colocado em Santarém, o meu primeiro pensamento foi que iria estar longe de ondas, ter um horário complicado para chegar à praia e ainda por cima ter de lavar loiça, roupa, engomar e tomar conta de uma casa. De repente vi-me num filme de terror, para além de ser professor ia ser também “dona de casa”. Mas nahhh não me pareceu que isso fosse acontecer e a verdade é que a realidade é bem diferente. As ondas que de inicio pensei que estariam tão longe, são logo aqui ao lado e não falo de ondas à Costa de Caparica, mas ondas como as da Praia do Norte, Foz do Arelho ou Supertubos e o facto de ter de tomar conta da casa até se faz bem, tendo em conta que por vezes vivo no caos.
Até aqui tudo bem, mas agora surge o grande problema de se estar num sítio novo a viver sozinho, a solidão. Para quem sempre esteve habituado a estar com a família e a ter amigos por perto, não é fácil e nem todos se habituam bem a este novo tipo de vivência, há que arranjar soluções, escapes para não se dar em maluco. No meu caso, até me estou a adaptar muito bem, em casa tenho sempre a tocar um bom som, seja ele reggea, house, metal ou hiphop e no espírito tenho sempre o bodyboard e a paixão pelo mar. Paixão esta que me leva a fazer esforços e sacrifícios, que são compensados cada vez que entro na água. Esforços como acordar cedo e gastar bom dinheiro em viagens e portagens são uma constante, mas com supertubos a 45m e praia do norte a 1hora, 1hora e pouco, quem consegue pensar em ficar na cama ou no € que se gasta??!!
A surfada muitas vezes é de apenas uma horinha, visto ter de entrar às 11horas no trabalho, mas vale mesmo a pena.
- O acordar às 6 dói mesmo muito;
- A viagem é secante, mas eufórica, uma vez que corre no pensamento a tabela do windguru consultada uns minutos antes de sair de casa, indicando um alto offshore com uma boa ondulação;
- O checar o mar num spot ou noutro e a decisão de onde se entra é feita rapidamente;
- Até que se chega àquele momento mágico de entrar para a água (nem que seja para levar uns valentes caldos na Praia do Norte :)).
O que realmente é doloroso, é o regresso a Santarém, retorno doído, mas com a noção de dever cumprido a acompanhar o meu dia; espírito relaxado; baterias carregadas e o pensamento invadido pelas boas ondas que apanhei.
Há quem me chame louco por começar o dia desta forma, no entanto troco esse adjectivo por outro, e sinto que a palavra apaixonado se adapta plenamente ao meu sentimento pelo mar e pelo bodyboard. A vida é demasiado curta para a desperdiçarmos com coisas banais, por isso devemos aproveitar ao máximo cada dia, desfrutando-o como se fosse o último. Think about it!!!
 
 
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