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> Carlos Guerreiro "Turco"
Carlos Guerreiro, bodyboarder de a longa data, não dispensa uma passagem pela Zambujeira para apanhar umas ondas, com companheiros de guerra, de longa data. O Zambujeira-Spot desenvolveu os mais diversificados temas nesta entrevista, passando pela Zambujeira, até aos seus projectos pessoais.
Sabemos que a zambujeira sempre foi um spot de referência, onde aprendeste e evoluiste, conta-nos como era a zambujeira e essas tuas surfadas quando o pico apenas estava a ser desbravado.
Eu se bem me recordo, desde sempre que mantive um grande contacto com o mar, mas foi por volta dos meus sete anos de idade consegui comprar uma prancha muito rudimentar e umas barbatanas e dediquei-me de corpo e alma ao bodyboard. Nessa altura apenas surfava cerca de 6 meses por anos mas depois comecei a sentir vontade de evoluir para que me pudesse divertir mais dentro de água.Com o decorrer do tempo e com a companhia de algumas pessoas que conhecia e outras que fui conhecendo ao longo do tempo consegui evoluir. Já nessa altura era na praia da Zambujeira que me sentia mais tranquilo e que consegui evoluir mais, pois tinha ondas durante todo o ano. Normalmente ia mais para o lado esquerdo da praia pois sempre me diverti mais nesse pico. Guardo na minha memória dias de ondas muito boas, mas para mim as melhores ondas que apanhei foi mais ou menos há oito anos atrás, picos triangulares com ondas de metro e meio, água bastante quente para o que é habitual e uns tubos bem largos e compridos. Nesse dia sai da água e desmaiei até ao outro dia. Nesse Verão apanhei ondas tão boas durante três meses, que devido ao excesso de esforço lesionei os dois braços.


A famosa esquerdinha da zambia foi também conhecida como o "pico do turco", muitos dos que já foram à zambia ainda não a viram funcionar, será que nos podes dar uma noção do potencial daquela onda.
Isso foi há algum tempo atrás e tudo começou porque achavam que eu não era bom da cabeça e que estava num sitio com as piores ondas, mas mais tarde reconheceram que o cantinho quando está com o fundo certa dá umas rampas e uns tubos bem divertidos. É pena é ser areia, devia ser fundo de pedra para dar sempre.


Viste novos talentos aparecer, contribuíste até para o aparecimento dalguns. Estamos a assistir a uma nova vaga de revelações, achas que existe potencial naqueles que são mais novos, ou o facto de muitas vezes não terem deslocação poderá limitá-los? Achas que a onda da zambujeira por si só é uma boa escola ou falta-lhe algo?
Na minha opinião está agora a desenvolver-se uma geração de bodyboarders muito boa e com grande potencial, sem dúvida que podem obter bons resultados nas competições, mas não se podem desculpar com o facto de não terem transporte ou outras limitações, pois na minha opinião com um pouco de organização e força de vontade podem comparecer nos campeonatos e tentar obter resultados. Embora considere que é necessário competir e querer ganhar para competir, consegue-se sempre evoluir sem competir e direccionar o bodyboard mais para o lado do free-surf e para o divertimento. É nesse aspecto que acho que a nova geração tem vantagem, pois quem está com eles percebe que são bodyboarders de corpo e alma que levam um estilo de vida muito saudável e próprio.Eo Zambujeira-spot é o reflexo desse movimento. Continuem.


Estas atrás de vários projectos ligados com o bb, mas pouco te vimos na ribalta, ao contrário de muitos outros que gostam tanto de se auto promoverem, porque foges tanto do estrelato?
Actualmente colaboro em alguns projectos única e exclusivamente ligados ao bodyboard, pois penso que posso ajudar o desporto dentro das minhas capacidades. Em relação à ribalta, não sei o que é isso e nem me interessa. Quero é divertir-me e evoluir para que possa tornar esse divertimento maior e fazer o desporto que mais gosto de fazer. Aproveito para agradecer à Twister surfshop, à manta, podfins, Dragon e Island Style pelo apoio que me tem dado ao longo destes anos e visitem o site www.insidebb.com.


Há cerca de um ano conseguiste cumprir mais um dos teus objectivos, lançaste um filme de bodyboard "Hot spots", qual foi o rescaldo desta experiencia?
O filme foi um desafio a que eu e o Hugo nos propusemos e conseguimos alcançá-lo, como é claro sinto-me feliz pois correu tudo bem e começamos com uma brincadeira que acabou por se tornar numa coisa séria. Espero que tenham gostado e agradeço por mim e pelo o Hugo por o terem visto, quem sabe saia outro dentro em breve.


Após longos anos de surf, varias culturas absorvidas, como defines o ambiente dentro de água na zambujeira?
Na minha opinião o ambiente é óptimo as pessoas são amistosas existe amizade entre todos e tirando uma ou outra cena penso que quer dentro quer fora de água acima de tudo respira-se bodyboard.


A nível nacional e internacional, quais os melhores spots que surfaste e quais os maiores sustos que apanhaste?
As melhores ondas que apanhei foi em Bali, O Padang, Binguin e G-land, em Portugal apanhei um ou outro dia bom nos Açores e de norte a sul do país já apanhei boas ondas. O maior susto que apanhei foi na esquerda da Foz do Douro, mais o meu amigo Ricardo Branco , que fomos parar a alto mar e tivemos que dar a volta à ilha, meteu um bocadinho de medo.


Se o Zambujeira-spot te pagasse uma viagem, qual o destino que escolhias e porquê?
Acho que ia para a Indonésia outra vez. Aquilo é lindo, foram os tubos mais compridos que surfei.
 
 
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